Destaque

Presidente da Coopaiter destaca valorização do café indígena e cobra melhorias nas estradas e estruturas de produção em Rondônia

ruralcastshow

Durante o 8º Concurso Tribos, em Cacoal, Naraymi Suruí ressaltou os avanços do Robusta Amazônico, a importância da assistência técnica e o papel das cooperativas no desenvolvimento econômico das comunidades indígenas.

A valorização dos cafés especiais produzidos nas terras indígenas de Rondônia, os avanços na organização dos produtores e os desafios para ampliar a atividade foram destacados por Naraymi Suruí, presidente da Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter-Suruí (Coopaiter), durante entrevista ao apresentador Adalto Costa, do RuralCast.

A entrevista foi gravada nesta quarta-feira (14), durante a programação da 8ª edição do Concurso Tribos, promovido pela Rituais Cafés Especiais, do Grupo 3corações, em Cacoal. O evento reuniu cafeicultores indígenas, lideranças e representantes de instituições parceiras para reconhecer a qualidade dos cafés Robustas Amazônicos produzidos nas comunidades.

Naraymi destacou que o projeto contribuiu para ampliar o reconhecimento dos produtores indígenas e fortalecer a atividade cafeeira como alternativa de geração de renda e autonomia econômica.

Cafeicultura indígena conquista reconhecimento e autonomia

Ao avaliar as transformações proporcionadas pelo Projeto Tribos, o presidente da Coopaiter ressaltou que a valorização comercial dos cafés especiais mudou a maneira como os agricultores indígenas são reconhecidos no mercado.

“A transformação trouxe uma visão muito forte para a gente, até porque ela trouxe uma visão de autonomia”, afirmou.

Segundo Naraymi, as parcerias estabelecidas ao longo dos anos contribuíram para melhorar as condições de produção, ampliar o acesso ao conhecimento técnico e fortalecer a confiança das famílias na atividade cafeeira. O dirigente destacou que os produtores passaram a conquistar maior reconhecimento pelo trabalho realizado nas terras indígenas. Para ele, a qualidade dos grãos representa uma oportunidade de agregar valor à produção e melhorar as condições econômicas das famílias.

Coopaiter atua na organização da produção e busca de assistência técnica

Durante a entrevista, Naraymi explicou que a atuação da cooperativa vai além da comercialização dos cafés produzidos nas aldeias. A Coopaiter participa da organização dos agricultores, articula parcerias institucionais, busca acompanhamento técnico e contribui para melhorar as condições de produção e a logística dos produtos.

“O papel da cooperativa Coopaiter é muito significante, porque ela organiza e busca, articula a parceria técnica para trazer segurança à produção”, destacou.

Entre as instituições mencionadas pelo dirigente estão a Emater e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que participam de ações de apoio aos agricultores. Naraymi ressaltou que o acompanhamento técnico é importante para aperfeiçoar os processos produtivos e permitir que os agricultores indígenas continuem alcançando bons resultados nas avaliações de qualidade.

A participação das cooperativas é uma das bases do Projeto Tribos, desenvolvido em parceria com instituições públicas e organizações indígenas. A iniciativa está fundamentada no protagonismo indígena, na preservação da floresta e na produção de cafés de alta qualidade.

Estradas e barracões estão entre os principais desafios

Apesar dos avanços alcançados nos últimos anos, Naraymi destacou que os produtores ainda enfrentam dificuldades estruturais que precisam ser superadas para ampliar a cafeicultura nas comunidades. Entre as principais necessidades estão a melhoria das estradas de acesso às aldeias e a adequação dos barracões utilizados nas atividades de produção.

“Nós estamos ajustando a nossa produção, mas a gente precisa ajustar nossas estradas, a gente precisa ajustar os nossos barracões para ampliar a nossa produção”, afirmou.

Segundo o presidente da Coopaiter, o desenvolvimento da cafeicultura indígena exige investimentos que acompanhem a evolução das técnicas de cultivo e o interesse das famílias em ampliar suas atividades. Ele também destacou a necessidade de fortalecer o diálogo com o poder público para viabilizar melhorias de infraestrutura. Durante a entrevista, Naraymi reconheceu a atenção da administração municipal de Cacoal, liderada pelo prefeito Tony Pablo, às demandas apresentadas pelas comunidades Paiter Suruí.

Concurso Tribos valoriza trabalho desenvolvido nas aldeias

Ao comentar a importância da oitava edição do Concurso Tribos, Naraymi destacou que a competição representa uma oportunidade de avaliar a qualidade dos cafés e reconhecer a dedicação dos agricultores indígenas.

“O produtor trabalha, dedica a sua vida, o seu trabalho, o seu sonho, para trazer o café na mesa do consumidor”, declarou.

O presidente explicou que as avaliações e premiações incentivam os cafeicultores a buscar melhorias constantes, além de contribuírem para a valorização do Robusta Amazônico no mercado. O Projeto Tribos começou a ser desenvolvido em 2018, a partir da aproximação do Grupo 3corações com comunidades indígenas produtoras de café das Terras Indígenas Sete de Setembro, em Cacoal, e Rio Branco, em Alta Floresta d'Oeste. A primeira edição do concurso ocorreu em 2019, estabelecendo uma iniciativa de reconhecimento da qualidade dos cafés produzidos pelos povos indígenas de Rondônia.

Liderança indígena defende continuidade das parcerias

Ao encerrar sua participação no RuralCast, Naraymi ressaltou que os resultados alcançados demonstram a importância da cooperação entre agricultores, instituições de assistência técnica, empresas e poder público. O dirigente também destacou que a Coopaiter pretende continuar articulando ações para fortalecer a atividade cafeeira e atender às necessidades dos produtores indígenas.

play_circleTV ao Vivo

AO VIVO

Comentários

Deixe sua opinião sobre este conteúdo usando sua conta do Facebook.

Notícias relacionadas