Em entrevista gravada pelo RuralCast durante o evento, liderança indígena destaca sua participação na chegada do Grupo 3corações a Rondônia, os avanços na produção de cafés especiais e os desafios para ampliar o projeto nas comunidades.
A trajetória da cafeicultura indígena de qualidade em Rondônia e os avanços conquistados ao longo dos últimos oito anos foram destacados por Dalton Tupari, liderança indígena da Terra Indígena Rio Branco e vereador de Alta Floresta d'Oeste, durante entrevista ao apresentador Adalto Costa, do RuralCast, gravada nesta quarta-feira (14), em Cacoal.
A entrevista foi realizada durante a programação da 8ª edição do Concurso Tribos, promovido pela Rituais Cafés Especiais, do Grupo 3corações. O encontro reuniu produtores indígenas, lideranças, pesquisadores e representantes de instituições parceiras para reconhecer a qualidade dos cafés especiais produzidos nas terras indígenas de Rondônia.
Dalton Augusto Tupari Firmino, conhecido como Dalton Tupari, participou das primeiras articulações que contribuíram para aproximar os produtores indígenas das instituições de pesquisa e, posteriormente, do Grupo 3corações.
Durante a conversa, ele relembrou os desafios enfrentados no início da produção de cafés especiais e destacou as mudanças econômicas e sociais proporcionadas pela valorização do Robusta Amazônico nas comunidades indígenas.
Articulação indígena abriu caminho para chegada da 3corações
A participação de Dalton nesse processo começou antes da criação do Concurso Tribos. Em 2017, a liderança indígena buscou apoio técnico da Embrapa Rondônia para melhorar a qualidade dos cafés produzidos na Terra Indígena Rio Branco.
O trabalho desenvolvido com pesquisadores e instituições parceiras contribuiu para aprimorar os processos de colheita, secagem e beneficiamento dos grãos.
Durante a entrevista ao RuralCast, Dalton relembrou a participação de produtores indígenas em um evento do setor cafeeiro realizado em Belo Horizonte, em 2018, quando amostras dos cafés produzidos nas aldeias foram apresentadas a potenciais compradores.
“Nós levamos nosso café para oferecer aos compradores, onde a 3corações foi uma das empresas que se interessou em aceitar o desafio, um convite desafiante para vir trabalhar com os povos indígenas e comprar os cafés especiais”, relatou.
A aproximação abriu caminho para a construção da parceria que resultou no Projeto Tribos, voltado à valorização da cafeicultura indígena, à preservação ambiental e à geração de renda.
Número de famílias produtoras cresceu com valorização do café
Um dos principais avanços apresentados por Dalton foi o crescimento da participação das famílias indígenas na produção de cafés especiais.
Segundo ele, antes da chegada do projeto, apenas três famílias da Terra Indígena Rio Branco trabalhavam com a cafeicultura, comercializando os grãos sem diferenciação pela qualidade.
“Nós tínhamos três famílias na época, na Terra Indígena Rio Branco, que produziam café e não tinham nenhuma valorização. Era café comum, venda comum”, afirmou.
Com a implantação das ações de capacitação e valorização comercial, o número de famílias participantes na Terra Indígena Rio Branco chegou a 19, conforme relatou a liderança.
Dalton também destacou a expansão das lavouras e o aumento do interesse dos agricultores indígenas em investir na atividade.
“A 3corações não só ajudou a comprar o café, mas transformou a vida das pessoas também, motivando as pessoas a terem dignidade no seu próprio território”, declarou.
Para ele, os resultados representam uma transformação que ultrapassa a comercialização do café, contribuindo para a melhoria das condições de vida e o fortalecimento da autonomia econômica das famílias.
Lideranças indígenas tiveram papel fundamental na construção do projeto
Durante a entrevista gravada em Cacoal, Dalton ressaltou que o desenvolvimento da cafeicultura indígena depende da confiança das comunidades em suas lideranças e da construção de parcerias responsáveis.
Ele explicou que buscar apoio técnico, identificar oportunidades comerciais e avaliar propostas de instituições e empresas fazem parte das responsabilidades das lideranças indígenas.
“O papel da liderança é buscar parceiros bons, que venham fazer a diferença no nosso território, trazendo mudanças saudáveis, mudanças que venham impactar a vida das pessoas”, destacou.
Dalton também reconheceu a contribuição de outras lideranças indígenas, dos pesquisadores da Embrapa, dos profissionais da Emater e das instituições que participam da iniciativa.
Projeto Tribos completa oito edições valorizando o Robusta Amazônico
O Concurso Tribos teve sua primeira edição realizada em 2019, em Cacoal, como parte das ações de reconhecimento dos cafés especiais produzidos nas comunidades indígenas.
A iniciativa envolve agricultores das Terras Indígenas Sete de Setembro, em Cacoal, e Rio Branco, em Alta Floresta d'Oeste.
Desenvolvido pelo Grupo 3corações por meio da Rituais Cafés Especiais, o projeto tem como pilares o protagonismo indígena, a proteção da floresta e a produção de cafés de alta qualidade.
Ao longo dos anos, o trabalho contribuiu para ampliar o reconhecimento dos Robustas Amazônicos, demonstrando o potencial de qualidade dos cafés cultivados pelas comunidades indígenas de Rondônia.
Além das premiações, o projeto promove capacitação, assistência técnica e valorização comercial dos cafés produzidos nas aldeias.
Dalton defende ampliação do atendimento às famílias indígenas
Apesar dos resultados alcançados, Dalton considera que ainda existem oportunidades para ampliar a participação dos agricultores.
Durante a entrevista ao RuralCast, ele destacou a necessidade de incluir novas famílias no projeto e fortalecer a assistência técnica dentro das comunidades.
“A gente precisa ampliar para que possam atender mais famílias também, que têm o plantio e não conseguem estar no projeto”, afirmou.
Entre as prioridades mencionadas estão o acompanhamento técnico das lavouras, orientações sobre adubação, manejo e melhorias nos processos produtivos.
Segundo Dalton, essas demandas deverão ser discutidas com representantes do Grupo 3corações para avaliar possibilidades de expansão da parceria.
Entrevista durante concurso resgata história da cafeicultura indígena
Gravada durante a programação do 8º Concurso Tribos, antes da cerimônia de premiação, a entrevista conduzida por Adalto Costa buscou recuperar a participação das lideranças que ajudaram a construir o projeto desde suas primeiras articulações.
Durante a conversa, o apresentador destacou a importância de reconhecer as pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da cafeicultura indígena antes mesmo da realização das primeiras competições.
Ao avaliar o ambiente do evento e a participação dos produtores, Dalton demonstrou satisfação com os resultados alcançados.
“Eu me sinto realizado de poder contribuir para que esse momento possa estar acontecendo hoje aqui de novo”, afirmou.
A entrevista integra a cobertura especial do RuralCast, produção da Rede AMAZUN, durante o Concurso Tribos, em Cacoal, levando ao público informações sobre a cafeicultura amazônica, a atuação das lideranças indígenas e as transformações proporcionadas pela produção de cafés especiais em Rondônia.