A líder do Projeto Tribos no Grupo 3corações, Patrícia Carvalho, destacou os avanços da cafeicultura indígena em Rondônia durante a 8ª edição do Concurso Tribos, realizada nesta quarta-feira (14), em Cacoal. Em seu pronunciamento, ela ressaltou a importância das parcerias institucionais, da pesquisa e da valorização dos cafés especiais para o desenvolvimento sustentável das comunidades produtoras.
Segundo Patrícia, os oito anos de trabalho representam uma etapa importante na construção de uma cadeia produtiva que reúne povos indígenas, produtores rurais, pesquisadores, cooperativas e empresas do setor cafeeiro.
“Oito anos é uma criança, né? Então tem muito ainda a ser construído”, afirmou, destacando que os resultados alcançados demonstram o potencial de continuidade da iniciativa.
Parcerias fortalecem a cafeicultura indígena
Patrícia Carvalho ressaltou que os resultados do Projeto Tribos são fruto de um esforço coletivo, desenvolvido com a participação de instituições como Embrapa, Emater, Seagri, cooperativas indígenas e empresas ligadas à cadeia produtiva do café.
A líder destacou que a integração entre conhecimento técnico, pesquisa científica e experiência dos produtores tem contribuído para melhorar a qualidade dos grãos e ampliar as oportunidades comerciais.
“É uma cafeicultura onde todo mundo ganha”, declarou.
Robusta Amazônico rompe paradigmas de qualidade
Um dos principais pontos abordados por Patrícia foi a transformação da percepção sobre os cafés da espécie Coffea canephora, que inclui os Robustas Amazônicos e os conilons.
Segundo ela, os avanços registrados na última década demonstram que esses cafés podem alcançar elevados padrões de qualidade, criando novas possibilidades de mercado.
“Nós estamos quebrando paradigmas do Canephora”, afirmou.
Patrícia lembrou que, há cerca de dez anos, o potencial de qualidade hoje identificado nas bebidas produzidas com grãos 100% Canephora ainda não era amplamente reconhecido.
Para ela, essa evolução representa uma transformação que começa na propriedade rural e chega até a xícara do consumidor.
O reconhecimento dos cafés especiais também permite que os produtores busquem mercados de maior valor agregado, ampliando as possibilidades econômicas para além da comercialização convencional do grão como commodity.
Protagonismo indígena e preservação da floresta
Durante o pronunciamento, Patrícia reafirmou os três pilares que orientam o Projeto Tribos: protagonismo indígena, proteção da floresta e produção de café de qualidade.
Segundo a líder, a proposta é fortalecer a cafeicultura de maneira sustentável, respeitando a participação das comunidades indígenas nas decisões e valorizando os territórios onde os cafés são produzidos.
A iniciativa, desenvolvida pelo Grupo 3corações por meio da Rituais Cafés Especiais, chega à oitava edição do Concurso Tribos reunindo produtores indígenas, lideranças e instituições parceiras em Cacoal.
“O que a gente vê aqui é que é só o começo”, concluiu.