O presidente do Grupo 3corações, Pedro Lima, participa nesta quarta-feira (14 de outubro) da 8ª edição do Concurso Tribos, realizada em Cacoal, Rondônia. Durante seu pronunciamento, o empresário destacou a importância do empreendedorismo indígena, da geração de renda, da preservação da floresta amazônica e da valorização dos cafés especiais produzidos pelas comunidades indígenas do estado.
Promovido pela Rituais Cafés Especiais, do Grupo 3corações, o evento reúne lideranças indígenas, cafeicultores, especialistas e representantes de instituições parceiras. Entre os participantes está o cacique geral Almir Suruí, uma das lideranças indígenas envolvidas na iniciativa.
Em um discurso marcado por referências à sua trajetória empresarial e à importância da participação das famílias na atividade cafeeira, Pedro Lima defendeu que o crescimento econômico das comunidades seja acompanhado pelo fortalecimento da identidade cultural e pela conservação dos territórios indígenas.
O presidente ressaltou que a cafeicultura pode representar uma oportunidade de desenvolvimento econômico para os povos indígenas, permitindo que a produção de qualidade seja transformada em renda e melhores condições de vida.
Empreendedorismo como caminho para fortalecer as comunidades
Um dos principais pontos abordados por Pedro Lima foi a necessidade de transformar a produção de café em uma atividade economicamente sustentável para as famílias indígenas.
O empresário afirmou que o trabalho desenvolvido nos últimos oito anos demonstra a possibilidade de agregar valor à produção agrícola e criar oportunidades de negócios dentro das próprias comunidades.
“Vocês precisam ter renda, porque, para viver numa sociedade, precisamos ter recursos para a família”, afirmou Pedro Lima, ao destacar a importância da atividade econômica para atender às necessidades das famílias.
Para o presidente, o fortalecimento do empreendedorismo precisa considerar não apenas a comercialização do café, mas também os investimentos nas propriedades, a capacitação dos produtores e a construção de uma cadeia produtiva capaz de gerar benefícios duradouros.
Em outro momento, ele ressaltou a importância de ampliar as oportunidades econômicas “sem perder a identidade, sem perder os valores de vocês”.
A declaração reforçou um dos principais temas de sua participação no concurso: a possibilidade de desenvolver atividades produtivas nas terras indígenas sem comprometer as tradições e os valores culturais das comunidades.
Pedro Lima também reconheceu o envolvimento dos produtores indígenas na construção do projeto, atribuindo às próprias comunidades papel fundamental nos resultados alcançados.
Quem é Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações?
Natural de São Miguel, município localizado no interior do Rio Grande do Norte, Pedro Lima construiu sua trajetória empresarial a partir de um pequeno negócio familiar iniciado por seu pai, João Alves de Lima, em 1959.
Naquele ano, João começou a comercializar café verde na região. Em 1961, o empreendimento passou também a torrar e moer os grãos, comercializados inicialmente com a marca Café Nossa Senhora de Fátima.
Pedro chegou a cursar Agronomia na então Escola Superior de Agricultura de Mossoró, atual Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), mas decidiu interromper os estudos para se dedicar ao negócio da família.
Em 1984, ao lado dos irmãos Paulo e Vicente Lima, assumiu a condução das operações da empresa. A partir daquele período, o empreendimento iniciou um processo de modernização, expansão comercial e fortalecimento da marca Santa Clara, adotada em 1985.
A transformação ganhou dimensão nacional em 2005, quando a empresa da família Lima estabeleceu uma associação empresarial com o grupo internacional Strauss, incorporando a tradicional marca Café 3 Corações.
Em 2010, a companhia passou a utilizar oficialmente a identidade corporativa Grupo 3corações.
A empresa alcançou a liderança nacional no segmento de café torrado e moído em 2012, consolidando uma trajetória de expansão iniciada no interior nordestino.
Pedro Lima também recebeu, em 2015, o prêmio Empreendedor do Ano, na categoria Master, concedido pela Ernst & Young, reconhecimento relacionado à sua atuação empresarial.
Atualmente, o Grupo 3corações possui operações em diferentes segmentos de alimentos e bebidas, com marcas conhecidas nacionalmente.
A experiência construída ao longo de décadas no setor cafeeiro ajuda a explicar a ênfase dada pelo empresário ao empreendedorismo durante seu pronunciamento em Cacoal.
Produção indígena ganha valor com qualidade e preservação ambiental
Ao abordar o potencial da cafeicultura amazônica, Pedro Lima destacou que a produção desenvolvida pelas comunidades indígenas possui características capazes de diferenciar os cafés de Rondônia no mercado.
Para ele, o desenvolvimento da atividade deve permanecer associado à proteção ambiental e à valorização dos povos originários.
“Imagine o café da Amazônia, o café produzido aqui na Amazônia sem comprometer a floresta”, declarou.
O presidente destacou que o Projeto Tribos está fundamentado em três pilares: o protagonismo indígena, a proteção da floresta e a produção de café de alta qualidade.
Segundo Pedro, esses princípios precisam continuar orientando o trabalho nas próximas décadas, permitindo que as comunidades ampliem sua participação no mercado sem comprometer a conservação da Amazônia.
Durante o discurso, ele também abordou a importância de produzir cafés de qualidade e encontrar caminhos para valorizar comercialmente os produtos das comunidades.
Projeto Tribos começou a ser construído em 2018
A aproximação do Grupo 3corações com os produtores indígenas de Rondônia teve início em 2018. A iniciativa foi estruturada em parceria com instituições públicas, especialistas em cafeicultura e organizações indígenas.
A primeira edição do Concurso Tribos aconteceu em 2019, em Cacoal, dando início ao processo de reconhecimento dos melhores cafés produzidos por agricultores indígenas.
O projeto contempla comunidades das Terras Indígenas Sete de Setembro, em Cacoal, e Rio Branco, em Alta Floresta d'Oeste.
Entre os parceiros estão a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Embrapa Rondônia, Emater-RO, Câmara Setorial do Café e secretarias de Agricultura, além de cooperativas indígenas e especialistas em qualidade do café.
De acordo com informações institucionais divulgadas pelo Grupo 3corações em edições anteriores, o Projeto Tribos já havia beneficiado mais de 150 famílias indígenas distribuídas por 28 aldeias.
A iniciativa desenvolve ações de capacitação, melhoria dos processos de colheita e pós-colheita, assistência técnica e valorização comercial dos cafés produzidos nas comunidades.
O Concurso Tribos seleciona microlotes de cafés especiais 100% Robustas Amazônicos, reconhecendo os produtores que alcançam os melhores resultados de qualidade.
Além das premiações, o projeto contempla mecanismos de compra valorizada da produção. Os cafés selecionados também podem chegar ao mercado consumidor por meio de edições especiais comercializadas pelo Grupo 3corações.
Um dos marcos da iniciativa ocorreu em 2024, quando um café produzido pelo indígena Rafael Mopimop Suruí alcançou a pontuação máxima de 100 pontos na avaliação de especialistas, resultado que ganhou destaque nacional.
Pedro Lima destaca evolução das lavouras indígenas e investimentos em tecnologia
Durante a programação em Cacoal, o empresário comentou visitas realizadas a propriedades indígenas e mencionou melhorias implantadas pelos produtores para ampliar a qualidade e a produtividade das lavouras.
Entre os exemplos apresentados estão investimentos em sistemas de irrigação, utilizados para reduzir os impactos da irregularidade das chuvas e proporcionar melhores condições ao cultivo.
Pedro Lima ressaltou que o desenvolvimento da cafeicultura indígena envolve um processo contínuo de aprendizagem, aperfeiçoamento técnico e valorização dos produtos.
Para ele, os resultados não dependem exclusivamente da premiação anual, mas também da capacidade de transformar conhecimento e produção em oportunidades de renda para as famílias.
O presidente observou que o trabalho desenvolvido desde o início da iniciativa vem contribuindo para a construção de uma cadeia produtiva que envolve agricultores, cooperativas, técnicos e empresas.
Formação de jovens indígenas é apontada como uma das conquistas
A participação das novas gerações também recebeu atenção especial durante o pronunciamento.
Pedro Lima destacou o envolvimento de jovens indígenas em atividades ligadas à cafeicultura, principalmente na formação de baristas, profissionais responsáveis pelo preparo e pela apresentação de cafés especiais.
O empresário lembrou que o projeto começou com o aprimoramento do cultivo e da colheita, mas passou a incorporar outras etapas da cadeia do café, incluindo a capacitação de jovens para apresentar os produtos cultivados em suas comunidades.
“O que eu estou vendo de mais bonito nisso é a juventude”, afirmou.
Ele relacionou a participação dos jovens à importância da sucessão familiar e da continuidade das atividades produtivas entre as gerações.
Durante sua fala, Pedro também apresentou integrantes mais jovens de sua própria família, estabelecendo uma relação entre a história do empreendimento familiar da 3corações e o futuro das famílias indígenas envolvidas no projeto.
O presidente destacou a dedicação dos profissionais responsáveis pela formação dos novos baristas e ressaltou que a presença dos jovens representa uma oportunidade de ampliar a participação das comunidades em diferentes atividades do setor cafeeiro.
Concurso poderá ter mudança de nome com participação indígena
Outro anúncio realizado durante a abertura da 8ª edição foi a possibilidade de mudança do nome Concurso Tribos.
Representantes da organização reconheceram a importância de ouvir as comunidades indígenas sobre a denominação utilizada atualmente e anunciaram a intenção de realizar uma consulta participativa para discutir alternativas.
A proposta é permitir que os próprios indígenas contribuam para a escolha de um nome que represente a identidade e os objetivos da iniciativa.
Pedro Lima também comentou o assunto durante seu pronunciamento, destacando o amadurecimento do projeto ao longo dos oito anos e a importância de construir as decisões em conjunto com os participantes.
A mudança, entretanto, ainda não está definida. A manutenção da denominação atual também poderá ser considerada durante o processo de consulta.
Parceria busca ampliar oportunidades para o café amazônico
Ao longo do pronunciamento, Pedro Lima reiterou que o fortalecimento da cafeicultura indígena depende da continuidade do trabalho conjunto e da capacidade de transformar a qualidade da produção em oportunidades econômicas.
O presidente destacou o papel das lideranças indígenas, das famílias produtoras e das instituições que participam do projeto.
Para o empresário, o desenvolvimento do setor precisa contribuir diretamente para a melhoria das condições de vida nas aldeias, respeitando a cultura e a autonomia dos povos envolvidos.
Ao relacionar empreendedorismo e desenvolvimento social, ressaltou a importância de gerar oportunidades para manter “a dignidade das famílias, a dignidade das pessoas”.
A programação da 8ª edição do Concurso Tribos segue nesta quarta-feira, em Cacoal, com atividades dedicadas à valorização dos cafés especiais, à integração das comunidades produtoras e ao reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos cafeicultores indígenas.